“Tarifaço do Trump”: quais os impactos para os EUA e o Brasil até aqui?
O que é o tarifaço?
-
A escalada tarifária começou em 1º de fevereiro de 2025, com taxas sobre aço, alumínio, automóveis, e mais. Antes, havia tarifas moderadas — como os 10% iniciais aplicados ao Brasil, que depois aumentaram significativamente em abril.
-
Em agosto, uma sobretaxa de 50% entrou em vigor para cerca de um terço da pauta exportadora brasileira.
Efeitos na Economia dos EUA
-
Perdas de receita para pequenas empresas
Pequenas empresas que dependem de importação já gastaram em média US$ 90 mil entre abril e julho — podendo chegar a US$ 856 mil até o fim do ano. Faturamentos caíram 13% em junho. -
Desaceleração nos investimentos e emprego
Investimentos privados diretos caíram 13,8% no segundo trimestre de 2025. A criação de novas vagas teve o pior desempenho entre maio e julho desde outubro anterior. -
Déficit comercial crescente
O déficit comercial americano avançou 22,1% em julho, impulsionado mais pelo aumento das importações (7,1%) do que pela queda das exportações (0,1%). -
Endividamento público ainda elevado
A receita adicionada gerada pelo tarifaço — cerca de US$ 65 bilhões entre abril e junho, com previsão de US$ 189 bilhões no ano — é insuficiente frente ao custo anual do plano fiscal de Trump (US$ 590 bilhões), ampliando o endividamento. -
Dólar em queda e maior volatilidade nos mercados
O dólar desvalorizou quase 10% desde o início do ano, com forte volatilidade, fuga dos títulos do Tesouro e aumento dos rendimentos dos papéis de longo prazo — sinais de queda de confiança na economia americana.
Impacto na Economia Brasileira
A. Tarifas e resposta brasileira
-
A sobretaxa de 50% sobre diversos produtos — a versão final do tarifaço — já está em vigor desde 6 de agosto.
-
Essa medida atinge aproximadamente um terço da pauta exportadora brasileira para os EUA, conforme estimativas da CNI.
B. Diferenças regionais
-
Mesmo com exceções, regiões como Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste enfrentam impactos distintos, dependendo da pauta exportadora local.
-
Por exemplo:
-
Café (Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo)
-
Carne (Centro-Oeste)
-
Frutas e mel (Nordeste)
-
Madeira, móveis, calçados e têxteis (Sul e Norte)
-
C. Respostas do governo brasileiro
-
O governo lançou o pacote Brasil Soberano, com linha de crédito de R$ 30 bilhões e adiamento de tributos em setores como manga, mel e pescados.
D. Reflexos econômicos observados
-
Desemprego recorde baixo no Brasil: 5,8% em junho (nível histórico). A inflação manteve-se controlada, ainda abaixo de 1% ao mês.
-
No panorama comparativo, os EUA desaceleram com inflação e desemprego em alta, enquanto o Brasil segue forte nesse momento.
E. Desafios para exportadores e investimentos
-
Médias empresas exportadoras enfrentam ameaça à competitividade e margens reduzidas, podendo realocar produção para o mercado interno.
-
Empresas como Gerdau, Taurus, WEG, entre outras, estão redesignando investimentos, com alguns transferindo operações para os EUA.
Resumo em Tópicos
| Ponto | Estados Unidos | Brasil |
|---|---|---|
| Setor afetado | Pequenas empresas, comércio, câmbio | Exportadores — especialmente agro, indústria |
| Impacto econômico | Retração, déficit, endividamento, volatilidade | Ameaça à competitividade e crescimento regional desigual |
| Resposta institucional | Tarifas arrecadam pouco frente ao fiscal | Brasil Soberano, apoio direto, crédito |
| Cenário macro | Dólar fraco, inflação em alta, emprego fraco | Desemprego baixo, inflação controlada |
| Diversificação e adaptação | Redução dos investimentos | Redirecionamento estratégico e reequilíbrio |
Conclusão
O “tarifaço do Trump”, com sobretaxas de até 50% sobre exportações brasileiras, já está causando efeitos concretos — e adversos — na economia dos EUA: perda de receitas para empresas, maior déficit, dólar depreciado e menor confiança nos mercados.
No Brasil, embora o impacto não tenha sido desastroso até agora, ele é real e desigual, com estados expostos ao mercado norte-americano sentindo maiores efeitos. A resposta governamental tem buscado mitigar esses impactos, mas a urgência de diversificação de mercados e fortalecimento da indústria nacional permanece crítica.

Comentários
Postar um comentário